Os Mercados de Natal germânicos, uma tradição com história

Os Mercados de Natal alemães (e não só) estão quase a chegar e, com eles, verdadeiros espetáculos de cor e luz que vêm trazer alegria aos frios dias de Inverno que caracterizam o norte da Europa. Famílias e grupos de amigos rendem-se ao sabor intenso do Glühwein (o famoso vinho quente), assim como todos os viajantes que aderem à tradição. Gostaria de saber um pouco mais da história destes mercados? Então este texto é para si.

Weihnachtsmärkte – é assim que saem da boca dos locais. Mas, como a maioria de nós não fala alemão, o melhor será ficarmo-nos pela versão portuguesa: Mercados de Natal, Feiras de Natal, como lhes preferirmos chamar. Decerto já ouviu falar. E, se já visitou, sabe que, para sinalizar o início do Advento, a mais pequena cidade alemã (já para não falar das metrópoles) organiza um espetáculo de cor e de luz, onde decorações natalícias, presentes originais, especialidades locais, vinho quente e algodão doce se conjugam para criar um ambiente festivo.

Se não visitou… então não sabe o que está a perder.

Quando abrem as suas portas, em finais de Novembro, os Mercados de Natal tornam-se o local de encontro preferido dos alemães nas horas livres. Ali se reúnem famílias, amigos e colegas para fugir à solidão e, sobretudo, ao FRIO das longas noites de Inverno na Alemanha. Assim o é já há séculos. Os mercados normais, realizados regularmente durante o ano, eram especialmente bem acolhidos e frequentados nos meses frios, em que o tédio tomava conta das pessoas e um pouco de convívio (e de compras) sabia sempre bem.

Os primeiros Mercados de Natal não diferiam em quase nada dos mercados do resto do ano, que duravam dois ou três dias e tinham pouca variedade de produtos, estendidos pelos comerciantes nas ruas da cidade. Mas, com o passar dos anos e dos séculos, a tradição enraizou-se, a duração foi alargada, a logística tornou-se mais complexa e assistiu-se até à especialização dos diversos mercados nos produtos e nas iguarias típicas da sua região. Característica comum era a atmosfera de festa, o convívio e os imensos ornamentos natalícios à venda, feitos sobretudo à mão.

No século XVII, altura em que a compra dos presentes nestes mercados já se tinha tornado uma prática comum, escolhia-se realizá-los em torno da igreja principal de cada cidade, com o intuito de que mais pessoas se interessassem pela religião e fossem à missa. Infelizmente, não resultou. Que o diga o padre de Nuremberga que, em 1616, admitiu que tinha deixado de conseguir rezar a missa da véspera de Natal, porque os crentes preferiam passar o seu tempo no mercado e não havia quem o ouvisse…

Hoje, os Mercadinhos de Natal são, como todos sabemos, considerados uma parte fundamental da cultura e da tradição germânicas, sem os quais esta seria uma época muito mais cinzenta no centro da Europa.

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