Sigiriya, o refúgio de um príncipe com sangue nas mãos?

Sigiriya significa “Pedra do Leão” e é parte obrigatória de qualquer roteiro pelo Sri Lanka. Além de ter sido nomeada Património da Humanidade pela UNESCO, esta gigante “pedra” foi, há mais de 1500 anos, uma fortaleza que serviu de refúgio ao rei Kassapa – ou, pelo menos, é isso que dizem os locais. Depois de ler este texto, poderá decidir qual a teoria que o(a) convence mais…

Quem não gosta de uma boa lenda? Em Sigiriya, no Sri Lanka, ouvirá muitas e talvez imagine até outras tantas, ou não fosse esta cidade um misterioso rochedo de 370 metros de altura, cheio de caminhos, cavernas, saliências e ruínas do que foi outrora a fortaleza de um rei criminoso… ou um “aborrecido” mosteiro budista. É verdade: quem chega ao topo do rochedo, depois de uma escalada no mínimo cansativa, nem o prazer tem de saber se a plataforma de pedra em que se senta foi um trono real ou o local de meditação de um qualquer monge.

É precisamente esta incerteza que outorga a Sigiriya todo o seu encanto. Geologicamente falando, esta cidadela é fruto de um vulcão já extinto, tendo sido formada pelo magma por este libertado. Também se comprova facilmente a suposta existência de um mosteiro budista naquele local até meados do séc. XIV. No entanto, as povoações das redondezas têm teorias bem mais romantizadas sobre Sigiriya, como a do rei Kassapa, que, após ter destronado e assassinado o seu próprio pai, se viu obrigado a construir uma fortaleza inacessível que o protegesse contra a retaliação. Defendem que Kassapa erigiu um palácio com jardins no cume do rochedo e que as ruínas lá existentes são disso testemunho.

As ruínas de Sigiriya foram descobertas em 1898 pelo arqueólogo britânico HCP Bell, que trouxe à luz do dia também duas gigantescas patas de leão, do lado norte do rochedo. E a conclusão a que se chegou foi a de que, no século V (período em que viveu e reinou Kassapa), um leão em tijolo de enormes dimensões se encontrava ali “sentado”, sendo que o caminho até ao cimo da cidade se fazia por uma escada que ascendia por entre as duas patas até à sua boca. Mas porquê um leão? Simples: para relembrar os crentes que Buda era Sakya-Simha, ou o leão do clã Sakya, e que as verdades por ele proferidas eram mais poderosas do que o rugido deste animal. Hoje, de toda essa estrutura, só restam as patas e os primeiros degraus.

As escavações foram retomadas pelo explorador britânico John Still em 1907 e, em 1982, quando Sigiriya já tinha revelado (quase) todos os seus segredos, a cidade foi declarada Património da Humanidade pela UNESCO.

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