- Início
- Catálogo de Viagens
- Viagens com Autores
- Circuitos à medida
- Sustentabilidade
- Contactos
Viagens com Especialistas
VIAGEM EM GRUPO
12 refeiçõesA Eritreia ocupa um lugar singular no nordeste de África, entre as terras altas do planalto etíope-eritreu e o Mar Vermelho. É um país de contrastes fortes, onde as montanhas, habitadas por grandes bandos de macacos e babuínos, descem em direcção à costa, onde os vales interiores se abrem entre paisagens áridas e monumentais, e onde o límpido mar conserva ainda uma dimensão quase intacta, longe dos grandes circuitos turísticos internacionais. Esta é, aliás, uma das marcas mais especiais da viagem. A Eritreia não é um destino fácil nem particularmente formatado para o turismo. Exige alguma disponibilidade, flexibilidade e espírito de descoberta. Mas é precisamente essa condição, tanto no interior como nas ilhas do Mar Vermelho, que torna a experiência da viagem em algo que ficará com o viajante para o resto da vida.
Ao longo da sua história, este território situou-se entre várias esferas culturais: a África Oriental, a Península Arábica, o Mediterrâneo e o Oceano Índico. A costa eritrea foi desde cedo pontuada por rotas marítimas de grande importância, ligando os portos do Mar Vermelho aos centros urbanos do antigo reino de Aksum, no planalto interior. Lugares como Adulis recordam esse mundo de contactos antigos, de circulação de mercadorias, pessoas, ideias e religiões, num espaço que aparece já descrito no Périplo do Mar Eritreu, texto greco-romano de meados do século I d.C. que continua a ser uma fonte fundamental para compreender as rotas comerciais entre o Mediterrâneo, a Arábia, a África Oriental e a Índia.
Foi também por estes caminhos do Mar Vermelho que o Cristianismo chegou cedo à região. No século IV, missionários ligados ao Egipto romano terão contribuído para a conversão da elite aksumita, deixando uma marca profunda na história religiosa e cultural deste território. A partir do século VII, o Islão fixou-se sobretudo nas comunidades costeiras, através dos contactos com a Península Arábica e com os circuitos comerciais marítimos. Esta sobreposição de mundos, cristão, islâmico, africano, árabe e mediterrânico, ajuda a explicar a complexidade da Eritreia, um país pequeno no mapa, mas belo e densíssimo do ponto de vista histórico.
A Eritreia cruza-se também, ainda que de forma menos conhecida, com a história portuguesa. Os relatos europeus sobre o reino do Preste João e os contactos com a Abissínia trouxeram ao território embaixadores, missionários e militares portugueses durante o século XVI, num tempo em que o Mar Vermelho e o Índico eram espaços centrais da política e da imaginação imperial portuguesa. Mais tarde, já no final do século XIX, a Eritreia tornar-se-ia colónia italiana, entre 1890 e 1947, deixando uma das heranças arquitectónicas mais surpreendentes de África: Asmara, cidade modernista, art déco e racionalista, hoje classificada como Património Mundial pela UNESCO.
Mais do que uma viagem por monumentos isolados, este é um percurso por um território pouco visitado, intenso e por vezes desafiante, onde a história antiga se entrelaça com locais de luminosa beleza. Será raro encontrar noutros destinos a possiblidade única de dormir junto ao mar, num arquipélago remoto, sob um céu profundamente estrelado, numa relação directa com a paisagem. É uma viagem de périplo pela diversidade cultural e geográfica da Eritreia que pede curiosidade e alguma capacidade de adaptação. Em troca, o país oferece uma experiência rara, difícil de repetir, e talvez por isso mesmo, tão marcante.
PROGRAMA
( ↑ Clique em cada um dos separadores para ver a respetiva informação)
Comparência no aeroporto escolhido para embarque em voo regular com destino a Asmara, via Istambul. Chegada à capital da Eritreia, a maior cidade do país, outrora dominada por italianos, britânicos e etíopes. Após a assistência nas formalidades de desembarque, transfer ao hotel. Alojamento no Hotel Asmara Palace Hotel ou similar.
Iniciamos o périplo pela grande cidade da Eritreia, o coração pulsante do país onde várias histórias poderão ser contadas. As visitas iniciam no centro da cidade, declarado Património da Humanidade pela UNESCO. Destaque para a Avenida Harnet, exemplo da arquitetura colonial italiana em art déco e para o edifício Fiat Tagliero: de estilo futurista, foi projetado pelo engenheiro italiano Giuseppe Pettazi e assemelha-se a um avião com um par de asas de 15 m. Continuação das visitas pelo Teatro da Ópera, construído em 1918, que combina elementos do Renascimento, Românico e do Neoclássico. Almoço. Visita ao Museu Nacional que percorre a história do país, desde tempos pré-históricos até à luta da independência. Será um ponto importante para projectarmos os dias seguintes. Visita ainda à Igreja Copta de Santa Maria e visita exterior à grande mesquita Al-Khulafa al-Rashedin um belo exemplo da arquitetura islâmica no coração de Asmara. É um símbolo da diversidade religiosa e da tolerância existente no país. Finalizamos o dia com a visita ao mercado Medebar, uma oficina ao ar livre que vale a pena visitar pelo interesse antropológico e fotográfico. Não há viajante que não se espante com a visão e conversas com os artesãos que reciclam neste mercado sucata de todo o tipo transformando-a em eletrodomésticos, utensílios e muito mais. Jantar. Alojamento.
Asmara
Partida em direção a Keren, situada a 1.392 metros de altitude. Considerada um ponto de encontro entre as terras altas e as planícies, a cidade é também conhecida pelos seus delicados trabalhos em filigrana de prata. Durante o percurso, serão efetuadas algumas paragens para fotografia e conversa. À chegada, visita à tradicional feira de gado, que atrai habitantes das diferentes localidades da região e transforma Keren num animado ponto de encontro de povos e culturas. Visita panorâmica da cidade e do seu mercado, com destaque para os cemitérios militares italiano e britânico, a mesquita, a pequena igreja grega situada nas proximidades do mercado, a antiga residência de campo do governador, a Igreja de São Miguel, de estilo românico, e a antiga fortaleza, localizada a 1.460 metros de altitude. Haverá ainda tempo para a imperdível visita a «Mariam Dearit», conhecida como Nossa Senhora do Baobá, uma pequena capela construída no interior do tronco de uma árvore centenária. Almoço entre visitas. Continuação para os cemitérios militares italiano e britânico, lugares que evocam a violenta batalha de Keren durante a Segunda Guerra Mundial e a complexa história colonial da Eritreia, onde se encontram também sepultados soldados eritreus, os askaris, que combateram ao lado das tropas italianas. Regresso a Asmara ao final da tarde. Jantar. Alojamento.
Feira de gado em Keren
De manhã, passeio a bordo do histórico comboio de Asmara, puxado por locomotivas Mallet, num percurso pela antiga linha ferroviária que atravessa as montanhas e as paisagens do planalto. Almoço. Partida em direção a Massawa, num trajecto de pouco mais de 100 quilómetros que permite descer cerca de 2.400 metros, desde as terras altas de Asmara até às margens do Mar Vermelho. Ao longo do caminho, passagem por Nefasit, Embatkalla, Ghinda, Dongollo Alto e Dongollo Basso, conhecida pelas suas águas minerais, enquanto a paisagem se transforma gradualmente, entre montanhas, vales e encostas cobertas de vegetação. Pelo caminho evocaremos as muitas histórias que esta paisagem evoca; falaremos do Cristianismo africano, de mosteiros e histórias antigas de Axum. À chegada à costa, primeiro contacto com o Mar Vermelho e com Massawa, cidade portuária construída sobre duas ilhas, Taulud e Massawa, ligadas ao continente por aterros. Jantar. Alojamento no Grand Hotel Dahlak ou similar.
Durante a manhã, partida para um primeiro contacto com a região da Dancália. Iniciaremos com uma das grandes visitas desta viagem: as escavações arqueológicas de Adulis, antigo porto do reino de Aksum e importante entreposto comercial nas rotas do Mar Vermelho, por onde circularam pessoas, mercadorias e ideias entre África, a Península Arábica e o Oceano Índico. Adulis surge referência em vários périplos antigos e é, sem margem de dúvidas, um dos sítios arqueológicos mais importantes de África. Regresso a Massawa e embarque em direção às Ilhas Dahlak, um vasto arquipélago de águas límpidas e recifes de coral, onde ainda hoje se encontra uma das paisagens mais preservadas do Mar Vermelho. Visita a algumas das ilhas e tempo para apreciar a paisagem e a vida marinha, entre corais, tartarugas e, com alguma sorte, golfinhos. Almoço entre visitas. Jantar. Ao final do dia, chegada ao acampamento. Alojamento em tendas, numa experiência simples e próxima da natureza, junto ao mar e sob um céu de grande intensidade, longe das luzes e dos circuitos turísticos habituais.
Nota: O programa final será decidido tendo em conta as condições e previsões meteorológicas.
Após um último mergulho nas águas das Ilhas Dahlak, regresso de lancha a Massawa, com chegada prevista no início da tarde. Almoço. Caso o horário o permita, breve visita à cidade, antes de iniciar a subida em direção às terras altas de Asmara. A paisagem transforma-se novamente à medida que deixamos o Mar Vermelho para trás e regressamos ao planalto.
Chegada a Asmara ao final do dia. Jantar. Alojamento no Hotel Asmara Palace ou similar.
Ilhas Dahlak
Partida em veículos 4×4 em direção a Qohaito, atravessando as paisagens das terras altas da Eritreia. Breve paragem em Dekemhare, cidade marcada pela arquitectura de influência italiana e pela presença dos seus mercados locais. Continuação através do Vale dos Sicómoros até Qohaito, uma das mais importantes paisagens arqueológicas da Eritreia, onde se conservam vestígios anteriores e contemporâneos do desenvolvimento do reino de Aksum. Visita às ruínas e à antiga barragem, provavelmente uma barragem milenar, e que é testemunho das técnicas de construção e de gestão da água que permitiram a ocupação deste território, estrategicamente situado entre o planalto e as antigas rotas do Mar Vermelho. Segundo a lenda, a Rainha de Sabá saciou-se com as águas desta barragem. Continuação para Metera, outro importantíssimo sítio arqueológico do período pré-axumita e aksumita, onde se conservam os vestígios antiquíssimos de urbe antiga e algumas das mais conhecidas estelas monumentais da Eritreia. Regresso a Asmara ao final da tarde. Almoço entre visitas. Regresso a Asmara ao final da tarde. Jantar e alojamento até à hora do transfer ao aeroporto para embarque em voo com destino a Portugal, via Istambul.
Chegada a Portugal. Fim da viagem e dos nossos serviços.
PREÇO POR PESSOA EM QUARTO DUPLO:
• Partida Porto: 4.250€
• Partida Lisboa: 4.260€
SUPLEMENTO Quarto Individual: 450€
SINAL: 1.280€
O PREÇO INCLUI:
• Assistência nas formalidades de embarque;
• Passagem aérea em classe económica, em voo regular Turkish Airlines, com direito a uma peça de bagagem até 20 kg e respetivas taxas de aeroporto, segurança e combustível (Porto – 65 € // Lisboa – 75 €):
Porto – Istambul ( duração aproximada 04h35)
OU
Lisboa – Istambul (duração aproximada 04h40)
Istambul – Asmara (duração aproximada 04h40)
Asmara – Istambul (duração aproximada 04h50)
Istambul – Lisboa (duração aproximada 05h00)
Ou
Istambul – Porto (duração aproximada 05h00)
• Circuito em autocarro de turismo;
• Alojamento e pequeno-almoço nos hotéis mencionados ou similares;
• Pensão completa, desde o almoço do 2º dia ao jantar do 7º (6 almoços e 6 jantares);
• Acompanhamento por Especialista Pinto Lopes Viagens durante todo o circuito, desde e até um dos aeroportos de partida (Porto ou Lisboa) – André Tomé;
• Guias locais em inglês ou italiano durante as visitas;
• Visitas e entradas conforme programa;
• Gratificações a guias locais e motoristas;
• Visto de entrada na Eritreia;
• Taxas hoteleiras, serviços e IVA;
• Seguro Multiviagens PREMIUM.
O valor das taxas de aeroporto, segurança e combustível acima indicado refere-se à data de elaboração deste programa. Este valor está sujeito a alteração até 20 dias antes da data de partida.
O PREÇO EXCLUI:
• Bebidas às refeições;
• Opcionais, extras de caráter particular e tudo o que não estiver mencionado como incluído.
• Condições específicas de cancelamento por parte do viajante: Consulte aqui
• Condições gerais Pinto Lopes Viagens: Consulte aqui
• Informação relativa aos nossos Seguros de Viagem: Consulte aqui
** Pernoitar nas Ilhas Dahlak é uma oportunidade única para os viajantes que procuram uma conexão profunda com a natureza num ambiente intocado e autêntico. O alojamento será em tendas do tipo iglu, confortavelmente equipadas com colchões, almofadas, lençóis e fronhas, proporcionando o essencial para uma noite de descanso ao som do mar e sob um céu incrivelmente estrelado. Notar que esta experiência requer uma atitude de adaptabilidade e espírito de aventura, uma vez que nas ilhas não há casas de banho e a água é um recurso precioso, o que impossibilita os duches diários. Trata-se de uma vivência sustentável e ecologicamente responsável, em total harmonia com o ambiente natural.
• Preço da viagem sujeito a flutuações cambiais.
• Programa elaborado a 13 de agosto de 2026
A Eritreia é ainda um destino muito pouco visitado e com uma infraestrutura turística bastante limitada. Esta característica será, em muitos momentos, parte da própria experiência da viagem. Procuraremos garantir, dentro das possibilidades existentes, as melhores condições de conforto, mas será importante viajar com alguma flexibilidade e disponibilidade para aceitar alterações de horários, esperas ou pequenas mudanças no programa.
Fora de Asmara, as deslocações são condicionadas por autorizações das autoridades locais e poderão existir controlos ao longo dos percursos. As estradas e os transportes nem sempre correspondem aos padrões a que estamos habituados, pelo que algumas deslocações poderão ser demoradas. O programa foi pensado de forma a equilibrar os tempos de viagem com as visitas, mas é importante ter em conta que estamos a conhecer um país ainda pouco preparado para o turismo internacional.
As diferenças de altitude e temperatura serão bastante marcadas ao longo da viagem. Asmara encontra-se a mais de 2.000 metros de altitude e apresenta temperaturas relativamente amenas, enquanto Massawa e as Ilhas Dahlak, ao nível do Mar Vermelho, são muito mais quentes. Recomenda-se, por isso, roupa leve para a costa e um agasalho para as noites e manhãs no planalto, bem como calçado confortável para as visitas arqueológicas.
Uma das noites será passada nas Ilhas Dahlak, em tendas, num acampamento de condições simples. Não teremos nessa noite o conforto habitual de um hotel, mas teremos em contrapartida a possibilidade rara de passar uma noite num arquipélago remoto do Mar Vermelho, junto à água e sob um céu sem poluição luminosa. A concretização desta etapa estará naturalmente dependente das condições meteorológicas e marítimas. Será útil trazer uma pequena toalha, lanterna ou frontal e uma mochila pequena para esta noite.
As refeições serão adaptadas às condições locais. Em Asmara e nas principais cidades encontraremos uma maior variedade de opções, enquanto durante as deslocações e nas Ilhas Dahlak as refeições serão necessariamente mais simples.
A viagem inclui algumas visitas a sítios arqueológicos e deslocações em terrenos irregulares, nomeadamente em Qohaito, Metera e Adulis. Não se trata, em geral, de caminhadas difíceis, mas será necessário algum cuidado e recomenda-se calçado confortável e adequado a terreno não pavimentado.
A fotografia deverá ser feita com alguma discrição. Existem restrições à fotografia de instalações militares, edifícios governamentais e outras estruturas consideradas sensíveis. Sempre que existam dúvidas, deverá perguntar-se ao guia local antes de fotografar. Será igualmente importante respeitar as indicações dadas durante as visitas a igrejas, mesquitas e outros espaços religiosos.
Por fim, esta é uma viagem que exige alguma capacidade de adaptação. Haverá momentos de maior conforto, sobretudo em Asmara, e outros em que as condições serão necessariamente mais simples. É precisamente esse contraste, entre a cidade modernista de Asmara, as montanhas do planalto, as antigas paisagens arqueológicas e a imensidão do Mar Vermelho, que faz da Eritreia um destino tão singular.
*Chamada para a rede fixa nacional