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Passatempo de Fotografia 2011

Gonçalo Cadilhe Gonçalo Cadilhe
Júri do passatempo de fotografia de 2011
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Menção Honrosa

"Índia, Triângulo dourado e Goa"

JOSÉ MANUEL ÁMEN
"Índia, Triângulo dourado e Goa"
14 a 28/8/2011


É uma perspectiva bastante usada do Taj Mahal, esta moldura a partir do arco do edifício à direita do mausoléu. Mas o que me chamou a atenção nesta imagem foi a presença de várias pessoas na sombra que estão, também elas, prisioneiras do fascínio deste monumento. O fotógrafo está dentro da imagem, no sentido que a imagem capta um deslumbramento colectivo e o fotógrafo está fora da imagem mas pertence a esse deslumbramento, pertence à imagem. Resta só dizer que o Taj Mahal é talvez o edifício mais bonito do mundo. O deslumbramento é totalmente justificado.

Menção Honrosa

"Itália"

MAFALDA FREITAS
"Itália"
29/6 a 5/7/2011


Há uns anos atrás, um filme romântico italiano apresentava esta imagem dos dois amantes a selarem o seu amor da seguinte forma: fechavam um cadeado numa grade da ponte de Florença e atiravam a chave ao rio Arno. Bom, esta ideia caiu tão bem nos namorados italianos que começaram a aparecer cadeados em todos os lados que fossem minimamente românticos. Hoje esta moda é uma praga nos lugares bonitos de Itália e uma bênção para os fabricantes de cadeados. Esta imagem consegue restituir a pureza e o mistério dessa declaração de amor tão banalizada que é um cadeado numa ponte, uma chave atirada ao rio.

Menção Honrosa

"Índia, Triângulo dourado e Goa"

MARIA JUNQUEIRA
"Índia, Triângulo dourado e Goa"
2 a 14/3/2011


Num dos meus livros escrevi que a Ásia é espiritualidade e dentro da Ásia a Índia é religião. Faltava só acrescentar que a Índia é também cor. Talvez pela paisagem desolada e árida do sub-continente que precisa de cor humana para lhe dar sentido, talvez pelo excesso de gente em que as pessoas precisam de se identificar através da cor, ou talvez por essa filosofia de vida em que não existe o ser individual, existe apenas a família, e a cor da roupa restitui identidade dentro do grupo, talvez por tudo isto, a Índia é cor. Esta fotografia demonstra-o de uma forma equilibrada e eficaz.

Menção Honrosa

"Etiópia"

MARIA EULÁLIA OSÓRIO
"Etiópia"
5 a 13/3/2011


Esta fotografia teria sido a vencedora na minha opinião. Transborda vida, genuinidade, alegria para fora da imagem. Se fosse preciso apenas uma imagem para mostrar o que é África, esta servia: África é esperança na precariedade, África é o sorriso na contrariedade, África é a organização dentro do caos (e reparem como estão arranjadinhas as bancas dos nossos profissionais), África é a conquista quotidiana de oportunidades de sobrevivência ou apenas a conquista da oportunidade de uma boa conversa com os amigos. África é esta imagem. Que não ficou com o primeiro lugar por causa da fotografia que vamos ver a seguir.

VENCEDORA

"Argentina, Chile e Patagónia"

MARIA ROSÁRIO CAPUCHO
"Argentina, Chile e Patagónia"
25/2 a 10/3/2011

Esta imagem é provavelmente a mais fácil de fotografar de todas as escolhidas. A que requer menos conhecimento técnico, menos aptidão do fotógrafo, menos investimento no material fotográfico. Bastou estar lá no momento. Reparem, é tão simples que chega a parecer irreal, artificial. Simples demais para ser verdadeira. Mas, tal como ensinava Sofia de Melo Breyner Andresen ao seu filho adolescente Miguel Sousa Tavares, “viajar é olhar”. Esta fotografia contém em si o resumo da viagem: olhar. Evidentemente o fotógrafo soube olhar, e a força brutal desta imagem é o seu olhar. Quando olhamos nós para ela, viajamos. Melhor ainda, quando olhamos para ela, apetece-nos também a nós viajar. É esse o sentido ultimo da fotografia de viagem.